O avanço da Inteligência Artificial (IA) desencadeou animados debates sobre o extraordinário poder adquirido pelas máquinas que coletam e processam dados. O arsenal de informações produzidas pelo Big Data, de fato, está afetando profundamente a vida das pessoas e impactando, significativamente, as atividades sociais e econômicas das nações. No entanto, é preciso lembrar que os sistemas automatizados podem, sim, explorar, minerar, coletar, selecionar e até analisar dados em diferentes formatos, de diversas fontes. Mas a tomada de decisões para orientar os critérios e os algoritmos das pesquisas, ou, para avaliar as estratégias de ação, a partir do que mostram os resultados, ainda depende do velho e bom cérebro humano.

Por mais que os robôs sejam “inteligentes”, imbatíveis nas tarefas repetitivas, volumosas, e no cruzamento de registros, são as pessoas de carne e osso que ditam as regras para que todo esse esforço produza conclusões relevantes, que agreguem valor à investigação em curso. Ou seja, a intervenção humana possibilita as necessárias interpretações e a “tradução” da linguagem dos números. Com base em sua consciência – atributo que os dispositivos tecnológicos ainda não desenvolveram, como ressalta o historiador e filósofo Yuval Harari, em sua obra “21 Lições para o século 21” – ainda cabe ao homem a tarefa de fazer a informação numérica adquirir sentido.

Por conta disso, uma figura vem ganhando importância, ultimamente, no universo de Tecnologia da Informação: o “curador de dados”, considerado um estrategista da informação. A curadoria, nesse campo, tem como responsabilidade organizar e qualificar os dados, de forma que eles sejam utilizados de maneira mais eficiente e mais rápida. Essa interferência melhora a qualidade da informação, e, em consequência, reduz o risco de deduções erradas. O processo de curadoria é aplicável a todas as etapas do processo de tratamento de dados: abrange aspectos conceituais, metodológicos e técnicos do tratamento dos dados.

Outra função da curadoria, além de selecionar e estruturar os dados, é a gestão dos data sets. Ou seja, criar procedimentos e parâmetros para que as informações sejam preservadas, sistematizadas e acessadas de forma fácil e inteligível, quando for necessário. Assim, um banco de dados corporativo, por exemplo, poderá servir não apenas para análises em circunstâncias pontuais, mas poderá ser reutilizado futuramente, subsidiando a construção de uma linha histórica de comportamentos ou apoiando a elaboração de uma perspectiva de tendências.

Se estiverem adequadamente armazenados para uma eventual recuperação, as antigas informações já processadas poderão enriquecer novas análises. Além de trazer benefícios adicionais, a curadoria vai contribuir, nesse caso, para a sustentabilidade dos dados, otimizando os investimentos na aquisição das informações. Em suma, por trás do Big Data, nada melhor do que uma “big mind”.

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