Há pouco mais de 20 anos, o Deep Blue, um computador da IBM, venceu o então campeão mundial de xadrez em uma partida de seis games, tornando-se a primeira máquina a realizar tal façanha. Apesar dessa derrota, Garry Kasparov é considerado por muitos o maior enxadrista de todos os tempos. Ele foi destronado, em 2000, por Vladimir Kramnik, por vários anos também campeão mundial. Kramnik se aposentou do xadrez competitivo e chegou a declarar que seu jogo se tornou menos criativo, em parte pelos computadores. Porém, ele acabou fazendo parte da equipe do laboratório de Inteligência Artificial da Alphabet, da unidade DeepMind, do Google. Esse time criou o AlphaZero, um software para aprender nove variantes de xadrez escolhidas e levar os jogadores a novos padrões criativos.

Em 2017, o AlphaZero mostrou que poderia aprender a derrotar os melhores jogadores de computador em xadrez, Go ou no jogo japonês shogi. Kramnik diz que seus resultados mais recentes revelam novas perspectivas do xadrez a serem exploradas, se as pessoas estiverem dispostas a adotar pequenas mudanças nas regras. As pessoas jogam xadrez há cerca de 1.500 anos. As regras foram sendo ligeiramente modificadas até o início do século 19, quando atingiram a forma atual. Com a IA, parece que novas mudanças estão a caminho.

Kramnik sugere que ter humanos trabalhando com máquinas, e não contra, pode expandir a experiência emocional e técnica do jogo. O projeto também desenvolveu o relacionamento colaborativo entre jogadores e máquinas. “Os motores de xadrez foram inicialmente construídos para derrotar os humanos”, comentou o pesquisador Nenad Tomašev, em artigo publicado na Wired.com. “Agora o AlphaZero é usado para exploração criativa em conjunto com os humanos, em vez de se opor a eles”.

A Inteligência Artificial fez os seus primeiros movimentos no xadrez, mas não parou por aí. E já realizou outras grandes jogadas. Como na abertura do US Open, principal campeonato de tênis do mundo, no dia 31 de agosto deste ano. Os fãs não puderam participar do evento, devido à pandemia da Covid-19. Nem por isso faltou o calor da “torcida” nas quadras. A IBM recriou os sons de uma grande multidão nas arquibancadas, por meio do processamento de horas de vídeos dos torneios passados. A empresa juntou duas tecnologias de Inteligência: o AI Highlights (já usado nos US Open dos últimos anos para classificar o nível de empolgação e as reações do público) e o Watson, plataforma de IA da IBM usada por grandes empresas. Essas ferramentas avaliaram o nível de emoção de cada jogada e simularam a reação do público, com os silêncios e ruídos acompanhando o vídeo em tempo real.

Na gameficação, os avanços propiciados pelo uso de algoritmos têm ganhado cada vez mais mercado. Recentemente, pesquisadores da Universidade de Stanford usaram IA para criar um jogo chamado Vid2Player, que é capaz de simular partidas de tênis por meio de vídeos com jogadores profissionais. A inovação vem em um momento em que grandes desenvolvedores de videogame investem em novas tecnologias para tornar a experiência do jogo cada vez mais realista. No caso de Stanford, a tática adotada pelos pesquisadores foi a de usar sprites, que são personagens baseados em vídeos de pessoas reais.

Sem dúvida, esse poder criativo e exploratório da IA representa muito da capacidade futura das técnicas a serem desenvolvidas e do potencial da área como transformador das nossas habilidades e competências.

Para ler mais sobre o assunto: https://arstechnica.com/gaming/2020/09/ai-ruined-chess-now-its-making-the-game-beautiful-again/

BigDataCorp