Em tempos de Big Data, estamos acostumados a pensar que essa tecnologia nos permite fazer qualquer coisa e é capaz de nos dar todas as respostas. Acreditamos que somos vigiados o tempo todo e que todas as nossas ações e interações são registradas e podem ser usadas para nos persuadir a comprar alguma coisa, adquirir algum serviço ou acreditar em algum discurso. Tudo isso sem espaço para erros e com cem por cento de eficiência. Afinal, quem nunca fez uma busca no Google e ficou recebendo anúncios e e-mail marketing sobre aquilo por semanas? Em casos mais extremos, algumas pessoas juram que só falar sobre um assunto perto do celular é o suficiente para ser bombardeado de propagandas sobre o que foi dito.

Quem dera fosse assim tão simples. Na série MITOS DO BIG DATA nós vamos desvendar o mito da onipotência da ferramenta e mostrar que ela é bem menos infalível do que gostaríamos que fosse. No post de hoje nós vamos falar sobre a lenda que se criou em torno do Big Data de que sua vida é um livro aberto na internet, e que muitas vezes as possibilidades de gerar informações erradas ou incompletas são maiores do que as de gerar as certas.

Nem tudo o que parece, é

É de fato impressionante quando recebemos uma publicidade perfeitamente direcionada logo após realizarmos uma busca sobre qualquer coisa. É como se essa fosse a materialização da tecnologia em seu auge, quase no nível da adivinhação, e isso nos marca a memória. Todavia, eu aposto com você que para cada e-mail marketing recebido de acordo com os seus interesses e perfil sócio-demográfico, existem pelo menos outros cinco que fogem parcial ou completamente ao seu estilo e suas características, até fazendo você exclamar algumas vezes “o que diabos isso tem a ver comigo?! Eu nem sou homem/mulher/jovem/idoso/solteiro/casado/…”. Acertei?

Esses spams que ficam lotando a sua caixa são bem mais frequentes do que os conteúdos que realmente interessam e se encaixam na sua vida. Tão frequentes que já passam batido, você está acostumado com eles, não abre e então não registra mentalmente. E é essa oposição de percepções nesses dois casos que faz com que você tenha a impressão de que os resultados baseados em Big Data são sempre perfeitos, mesmo que as provas do contrário estejam lotando a sua caixa de e-mails.

Erros de Big Data: Como? Por quê?

Desenvolveu-se no inconsciente coletivo o mito de que as ferramentas tecnológicas não erram, afinal, erros são ações levianas cometidas somente por humanos, certo? Errado. Como vimos no exemplo dos e-mails, nem sempre o direcionamento de conteúdo baseado em Big Data acontece de forma compatível com o alvo, e isso pode ocorrer por diversas razões.

Uma falha no algoritmo que cruza o emaranhado de informações desestruturadas disponíveis no Big Data pode ser uma delas. Assim como a leitura errada ou incompleta dos dados, que também podem ter sido colhidos com algum erro. Então, se você é um homem e recebeu uma publicidade direcionada ao público feminino, não se ofenda. Acontece nas melhores famílias.

Outro caso bastante comum é o de computadores e redes compartilhadas. Uma vez que muitas vezes não dá para identificar o usuário – principalmente se você não estiver logado em alguma conta de email ou rede social – é provável que receba conteúdo baseado na navegação de outra pessoa.

De forma geral, as ferramentas de Big Data utilizam os rastros que você deixa ao usar a internet para traçar o seu perfil, no entanto tudo é indicado de acordo com probabilidades. E quando elas erram, nada é mais comum do que deduções de comportamento e personalidades equivocadas, total ou parcialmente.

Logo, diante de tantos erros, podemos afirmar sem medo: não, sua vida não é um livro aberto na internet. Se há espaços para dúvidas e para cálculos errados que permitem que você receba publicidade mal direcionada, mesmo nos casos em que essa triagem é realizada por máquinas e inteligências artificiais, é por que há informações faltando ou que não foram interpretadas corretamente. Então, acredite: muitas das vezes os dados e ferramentas de Big Data podem saber bem menos sobre você do que parece.

Como tudo na vida precisa que de acompanhamento, as plataformas tecnológicas devem ser balizadas por uma equipe especializada que trabalhe para que elas atinjam suas melhores versões e maiores potências. Afinal, as máquinas ainda não fazem tudo sozinhas. Ainda.

BigDataCorp