Na era digital, quem lida com informações precisa ir além de ter boas fontes e agregar dados relevantes. Em especial no mundo empresarial, esse trabalho implica a capacidade de interpretar e fazer conexões entre dados para gerar planejamentos, definir táticas e direcionar estratégias. É uma competência fundamental no dia a dia corporativo, especialmente nos níveis de gestão e diretoria. No entanto, muitos profissionais que ocupam tais cargos não têm o conhecimento básico necessário para ler, processar e extrair indicadores dessas análises. Isso significa que as empresas estão negligenciando o que continua sendo o principal ativo de qualquer negócio: seu capital humano.

Uma pesquisa realizada recentemente pelas companhias Qlik e Accenture, reunindo mais de 9 mil entrevistas com pessoas de diversos segmentos da indústria, desde C-leves até iniciantes, em nove países da América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico, gerou um relatório sobre o atual cenário da alfabetização em dados nas empresas. De acordo com o estudo, embora gestores considerem que estão desenvolvendo ações orientadas por dados (data driven), o ritmo acelerado de algumas mudanças está causando sentimentos de ansiedade, medo, sobrecarga, incerteza e até tristeza entre os colaboradores.

Na pesquisa, 74% dos respondentes relatam se sentir infelizes (despreparados, inseguros) ao trabalhar com dados, 87% reconhecem os dados no local de trabalho como um ativo e 37% acreditam que o treinamento em alfabetização de dados os tornaria mais produtivos. Para Jordan Morrow, chefe global de alfabetização de dados da Qlik, “com os volumes de dados disponíveis e sendo criados diariamente, as organizações e os funcionários que fazem o melhor uso dos dados encontrarão sucesso. Um nível aprimorado de conhecimento de dados permite que todos sejam capacitados para usar dados para obter um desempenho superior”.

A consultoria Gartner Group define a alfabetização em dados como a “capacidade de ler, escrever e comunicar dados no contexto, incluindo uma compreensão das fontes e construções de dados, métodos analíticos e técnicas aplicadas – e a capacidade de descrever o caso de uso, aplicação e valor resultante”. Treinar um gerente de atendimento ao cliente, um coordenador de RH ou um executivo de marketing de nível C com as habilidades sugeridas no conceito Gartner é um grande desafio. Porém, o benefício é proporcional. Levantamento realizado pelo McKinsey Global Institute mostrou que organizações orientadas por dados têm 23 vezes mais chances de adquirir clientes; 6 vezes mais chances de reter esses clientes e 19 vezes mais chances de ser lucrativas com o resultado.

Portanto, se sua empresa deixa o trabalho de dados apenas nas mãos dos profissionais de TI e cientistas de dados, é hora de pensar em uma atualização das atribuições. E o primeiro passo para inserir essa cultura em uma companhia é investir na conscientização da importância da alfabetização digital das equipes. Esse aporte de conhecimento não apenas traz benefícios ao trabalho mas também amplia a qualificação dos profissionais. Uma boa combinação para o sucesso.

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