Entretenimento no celular, noticiário na TV, apresentações corporativas. Tudo o que aparece em nossas telas, hoje, procura economizar em palavras e abusar das imagens, estáticas ou dinâmicas. Ou seja, o mundo está cada vez mais visual. E um dos motivos é que ficou impossível consumir a gigantesca quantidade de dados que nos são oferecidos sem ter o apoio de recursos que ajudem a selecionar as informações e a fazer as conexões entre elas. Essa é a função dos infográficos, dos mapas de design thinking, das nuvens de palavras, dos histogramas, das matrizes, entre outros modelos gráficos voltados a melhorar a compreensão das informações.

O médico e estatístico sueco Hans Rosling, conhecido como “o homem que fazia os números cantar”, dizia que as estatísticas são como as notas de uma melodia. Você pode “ler” as notas e entender a partitura. No entanto, de acordo com Rosling, “a maioria de nós precisa ouvir a música para entender como é bonita”. Tomando emprestada essa analogia, podemos dizer que os dados são as notas. E a comunicação visual toca a música.

A questão é que muitas pessoas ainda não estão preparadas para essa mudança de paradigma comunicacional. Não sabem captar informações representadas pelas imagens, nem extrair análises daquilo que veem. Mas também, da parte de quem se expressa por imagens, há dificuldade em montar uma comunicação visual que contenha as informações necessárias, de forma atrativa e de fácil compreensão. Daí a importância da alfabetização visual, tão necessária quanto a alfabetização para a ciência de dados. É essa habilidade que vai nos permitir, por exemplo, olhar para um gráfico e enxergar tendências e exceções em um determinado cenário.

Especialistas destacam algumas características fundamentais em uma boa visualização de dados, que ajudam tanto a construir quanto a entender a “história” que os dados contam. A primeira providência é saber identificar o que é irrelevante, permitindo que saltem aos olhos as informações úteis. Muitos gráficos pecam pelo excesso de elementos, abusando de figuras apenas decorativas; portanto, dispensáveis para o entendimento da narrativa.

Outro desafio na comunicação visual é obter harmonia entre estética e conteúdo. Um mapa bonito motiva o olhar e torna a análise dos dados mais prazerosa. Mas, até que ponto a beleza deve determinar o tipo de informação a ser apresentada, a forma como será mostrada? Buscar o melhor equilíbrio nesse sentido é uma tarefa árdua. E não existe receita: em cada caso, é preciso avaliar a densidade do tema abordado, o público-alvo, o espectro de dados abrangido. A boa notícia é que existem muitas possibilidades para se chegar a um bom resultado.

Em um artigo no portal Medium, o data designer Benjamin Cooley ressalta: “Uma das coisas que mais amo na visualização de dados é que ela convida os usuários a explorar os dados por si mesmos”. Para isso, ele recomenda: “Precisamos ser obcecados com coisas como teoria das cores, sentimentos gerados por certas formas, padrões de leitura de usuários da web e a sensação crescente de fadiga de dados entre os usuários finais. A alfabetização visual é uma maneira de pensar sobre esse conjunto essencial de habilidades. É assim que mantemos a visualização de dados interessante, empolgante e acessível para todos”.

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