Dados de big data revelam uma realidade cada vez mais palpável: a economia brasileira está, enfim, ficando mais feminina. Pelo menos, no que diz respeito às novas empresas que foram abertas em 2019. Mulheres lideram negócios em todas as áreas e regiões do país e abriram mais empresas do que os homens no ano passado. Um levantamento feito pela BigDataCorp demonstra que, das mais de 2 milhões de novas entidades registradas no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) em 2019, 46,98% tinham apenas mulheres como sócias. Esse percentual é maior que a fatia de 42,08% das novas empresas abertas que tinham apenas homens como sócios.

Vemos, também, que as empresas das mulheres estão, cada vez mais, conquistando espaços que, até aqui, eram dominados por empresas de sócios de sexo masculino. Se há cinco anos, 37,07% das novas empresas criadas por apenas mulheres se concentravam em setores como comércio varejista de vestuário, serviços de beleza e estética e alimentação (lanchonetes e fornecimento de comidas para o consumo domiciliar), em 2019 esses mesmos segmentos somaram apenas 25,63% dos novos CPNJs de mulheres. Isso significa um crescimento da presença de novas empresas femininas nas demais áreas. Muitas delas, historicamente associados ao universo masculino, como construção ou de comércio e reparação de veículos.

A mesma desconcentração de empresas de mulheres ocorre na geografia. Em 2015, dos novos CPNJs abertos por mulheres, 60,58% estavam em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. No ano passado, esses três estados concentraram 55,33% das novas empresas abertas por mulheres. Ou seja, uma diferença de mais de 5 pontos percentuais foi distribuída pelas demais unidades da federação.

E por que as mulheres estão abrindo mais as suas empresas? Alguns números podem responder, por si, a esta pergunta: 40% das empresas de mulheres criadas em 2019 são formadas por brasileiras que nunca tiveram um emprego antes. Outras 38,31% tiveram apenas um único trabalho formal anterior à criação de seus CNPJs. Vale notar, também, que boa parte desses novos CNPJs “femininos” (34,91%) pertencente a brasileiras entre 19 e 30 anos. Ou seja, em um contexto de difícil empregabilidade, essas mulheres vão à luta, autoempregando-se.

Outro motivo que explicaria o porquê de as mulheres estarem se lançando no mercado por meio de suas empresas talvez resida no fato de que uma parcela significativa delas esteja em busca de aumentar os seus proventos. A BigDataCorp estima – com uma margem de erro de mais ou menos 5% – que 48,07% das mulheres que abriram empresas no ano passado tinham uma renda familiar de até dois salários mínimos. Outras 20,51% possuíam renda familiar equivalente a algo entre dois e quatro salários mínimos. Apenas 3,61% são provenientes de famílias com renda acima dos 20 salários mínimos.

O novo empreendedorismo feminino traz ainda outras características interessantes: a nova empresária brasileira (em 75,32% dos casos) reside em um lar composto por três pessoas e (67,09%) possui o perfil digital de grande engajamento: é assídua nas redes sociais, pesquisa e efetua compras na internet e transaciona por meio de internet banking, só para citar alguns de seus hábitos.

Essas e outras tendências, na prática, sugerem que a economia brasileira está caminhando para refletir melhor a participação demográfica das mulheres na sociedade brasileira, de 51,7%, de acordo com dados Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2018. O percurso é longo, mas já demos os primeiros passos.

BigDataCorp