Desde o mês de março o Facebook está no centro de uma polêmica sobre a falha na proteção dos dados dos seus usuários. A suspeita é que a rede social não tenha resguardado os dados o suficiente, de forma que a empresa Cambridge Analytica obteve informações de cerca de 50 milhões de pessoas indevidamente, que foram utilizadas como matéria-prima na manipulação de discursos direcionados para fins eleitorais nas campanhas do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e também pela saída do Reino Unido da União Europeia, que ficou conhecida como Brexit.

Quer entender o que aconteceu e como isso influencia a imagem do Facebook perante o mundo? Então fica de olho no post de hoje que nós contamos tudo!

Do começo

Tudo começou com um quiz aparentemente inocente, chamado “This is your digital life”, daqueles que aparecem aos montes no Facebook. Feito por um estudante da Universidade de Cambridge, o quiz foi respondido por 270 mil usuários que autorizaram não só o compartilhamento das suas próprias informações disponíveis na rede social, assim como também as informações dos seus amigos – sem que eles soubessem -, mediante pagamento. No total foram captados dados de mais de 50 milhões de usuários que foram posteriormente vendidos para a Cambridge Analytica, uma prestadora de serviço de dados para empresas privadas e agências políticas.

A irregularidade veio à tona a partir de uma investigação independente realizada pelos jornais The Observer e The New York Times, que descobriram que a Cambridge Analytica tinha conseguido por as mãos em informações de milhões de usuários do Facebook de forma irregular. Uma das clientes da Cambridge Analytica era ainda a equipe responsável pela campanha do então candidato Donald Trump, sobre a qual pairam diversas suspeitas e algumas certezas sobre a manipulação de discursos e direcionamento de conteúdo compatível com diferentes perfis de eleitores.

Dilemas éticos

A questão é que segundo as normas do Facebook, esses dados não poderiam ser vendidos ou repassados a diante para outros fins. Porém, ao mesmo tempo em que não poderiam, não há nenhum tipo de controle que a empresa de Mark Zuckerberg exerça sobre isso. É por isso que o empresário está sendo acusado de negligência e de trair a confiança dos seus usuários ao não proteger as informações privadas e impedir o uso indevido das mesmas. Zuckerberg já foi inclusive convidado a se manifestar sobre o assunto perante o congresso norte-americano e o Parlamento Europeu.

A verdade é que dados e todas as tecnologias relacionadas ao Big Data são um assunto muito sério, que pode gerar consequências práticas no nosso dia a dia. Fica claro então que não bastam regras para impedir o compartilhamento irregular de dados. É preciso realizar um acompanhamento e fiscalização eficientes, para garantir que as normas sejam seguidas. E esse foi o principal erro do Facebook: achar que estaria livre da responsabilidade por simplesmente determinar a proibição. Os acontecimentos recentes provam que é preciso mais esforço e comprometimento do que isso, e que essa negligência custou caro ao estar diretamente relacionada a resultados eleitorais polêmicos.

Todavia, se podemos extrair um lado bom de todas as coisas, nesse caso é que o debate levantado em torno do tema também coloca os dados pessoais que compartilhamos na internet em outra ordem de grandeza, e não como apenas mais um rastro de navegação deixado para trás na internet, que até bem pouco tempo era tida como terra de ninguém no que diz respeito à fiscalização e legislação. Mais do que valor financeiro, esse é o reconhecimento de que existe uma questão ética que precisa ser preservada, e que informações extraídas do Big Data devem ser utilizadas com muita responsabilidade.

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