Por muito tempo, os poderes econômico e militar ditaram a correlação de forças no jogo das nações. Nos estertores do século 20, no entanto, a produção industrial e os arsenais de armamento, por exemplo, passaram a ser tão relevantes quanto novos elementos do tabuleiro geopolítico: o conhecimento científico e o domínio da tecnologia. Com isso, a competição internacional hoje não se dá apenas no território das cifras dos mercados, mas, cada vez mais, vai penetrando no mundo virtual dos números do big data.

As tecnologias de Inteligência Artificial (IA) impactam com força esse mapa estratégico, permitindo que alguns países emergentes alcancem o mesmo nível de países desenvolvidos, ou até mesmo que os superem. Simplesmente porque, em qualquer guerra ou disputa da era da ciência de dados, hardware como armas nucleares e navios, vão ter de enfrentar contra-ataques de software inteligentes.

Não é por acaso que o plano “Made in China 2025” visa garantir que esse país asiático domine a IA, bem como várias outras indústrias de alta tecnologia. Em 2018, o Conselho de Estado da China emitiu o Plano de Desenvolvimento de Inteligência Artificial de Próxima Geração, que estabelece a China como o “principal centro global de inovação de IA até 2030”.

Em 2017, o Canadá se comprometeu a investir US$ 94 milhões para atrair e cultivar talentos de IA em um período de cinco anos. Alguns anos atrás, o presidente russo Vladimir Putin fez um alerta à população, ressaltando que o país que dominasse as tecnologias usando IA iria dominar o mundo.

Especialistas confirmam que quem liderar em Inteligência Artificial até 2030 governará o mundo até 2100. Mas terão benefícios também potências médias, como Austrália, França, Japão e Suécia. Esses países terão maior capacidade de competir no desenvolvimento de IA do que na fabricação dos complexos dispositivos militares usados hoje, como mísseis guiados com precisão e submarinos movidos a energia nuclear.

O Brasil, se investir em suas competências, tem a oportunidade de pular etapas no processo de desenvolvimento. A pesquisa “O impacto da IA no mercado de trabalho”, realizada pela consultoria norte-americana DuckerFrontier, a pedido da Microsoft, mostra a possibilidade de quadruplicar a produtividade brasileira até 2030 com uso de IA. As simulações consideraram as áreas de serviços públicos, prestação de serviços corporativos, comércio varejista, atacadista, hotelaria e alimentação, construção, manufatura, mineração, água e energia, e agricultura e pesca. A adoção máxima de IA, diz o estudo, pode aumentar a taxa composta anual de crescimento do PIB para 7,1% ao ano até 2030 – aumento superior à projeção de 2,9%, feita pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional para o mesmo período.

Para viabilizar esse salto, alertam os estudiosos do tema, o governo precisa estimular e criar programas de CT&I com destaque horizontal. Ou seja, o Brasil deve planejar um projeto de nação que passe pela expansão econômica, pela modernização tecnológica e pela inovação, combinando crescimento econômico com justiça social.

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