Continuando a tradição do último ano, vamos olhar hoje para as tendências do mercado de Big Data para o ano de 2018. Vamos ter esse ano uma série de momentos importantes: eleições presidenciais e municipais no Brasil, copa do mundo, eleições do congresso americano, a evolução das investigações sobre manipulações do processo eleitoral americano por parte da Rússia, olimpíadas de inverno na Coréia, dentre outros.

Cada um desses eventos, e centenas de outros, serão diretamente impactados por tecnologias e aplicações de Big Data, e esse é o nosso tema central: 2018 é o ano quando começamos a olhar mais para as aplicações e o impacto do Big Data, e menos para as tecnologias relacionadas. Dentro dessas aplicações, podemos listar quatro que terão um perfil central em 2018, e irão ditar a direção da área de Big Data nesse ano:

Inteligência Artificial

Como já havíamos mencionado anteriormente, a área de Inteligência Artificial (IA) é a nova área de hype do universo da tecnologia, e praticamente todas as empresas do setor estão investindo nessa área e se reposicionando como empresas de IA. Essa ressurgência da IA anda de mãos dadas com a área de Big Data, pois o principal ingrediente dos avanços que estamos vendo são os dados, cuja velocidade de crescimento só aumentou nos últimos anos, e que possibilitam o desenvolvimento de novos modelos e sistemas inteligentes.

Junto com isso, temos a evolução natural das ferramentas necessárias para o tratamento e manipulação desses gigantescos volumes de dados, bem como o surgimento de ferramentas específicas que visam simplificar a construção, implantação e manutenção de sistemas de inteligência artificial. Um exemplo claro disso é o Sagemaker, da Amazon Web Services. Trata-se de uma plataforma gerenciada que permite, de forma rápida e simples, a construção de modelos de IA sofisticados, e é apenas uma das dezenas de plataformas similares que estão aparecendo no mercado.

Assim como em 2017, as empresas atuando de alguma forma na área de Inteligência Artificial estarão entre as grandes demandantes por soluções ou projetos de Big Data.

Cidades Inteligentes

Dentro do “guarda-chuva” do termo Cidades Inteligentes, agrupamos uma série de tecnologias e tendências que vem se concretizando no mercado, incluindo: veículos autônomos, policiamento preditivo, smart grid, prevenção a desastres, planejamento urbano, e outras mais. Por trás de todas as mudanças no panorama das cidades, que estamos vivendo na prática hoje, estão os dados e as tecnologias de Big Data.

Sem as tecnologias de Big Data e os dados acumulados por aplicativos como Uber e Waze, o desenvolvimento de veículos autônomos seria impossível. Sem a coleta constante de dados, e as tecnologias de Big Data necessárias para processar esses dados, o smart grid não é nada além de medidores de energia elétrica caros. Sem as iniciativas de dados abertos, adotadas pela maioria das grandes cidades do Brasil e do mundo há alguns anos, e sem as tecnologias de Big Data necessárias para cruzar e correlacionar esses dados abertos, o policiamento preditivo baseado em números seria simplesmente um sonho.

Com as diferentes crises (fiscais, de segurança, de transporte, de saúde, etc.) que estão afetando o dia-a-dia das grandes cidades, 2018 se mostra cada vez mais um ano propício para a aplicação cada vez maior do Big Data para apoiar na solução desses problemas, e as cidades, direta ou indiretamente, vão se tornar consumidoras de soluções que abordem essas questões de forma efetiva.

Privacidade e Dados Pessoais

Ao mesmo tempo que temos cada vez mais informação sobre nós disponível na internet, seja com ou sem o nosso conhecimento, a privacidade tem se tornado uma preocupação cada vez maior, tanto para os indivíduos, que se sentem muitas vezes agredidos por ofertas e conteúdos híper-direcionados que aparecem durante sua navegação, quanto para os governos, que se preocupam com o poder que essa informação está acumulando na mão de poucas grandes empresas.

Em 2017, vimos os primeiros movimentos supranacionais para restringir e controlar o fluxo de dados de pessoas entre países e blocos econômicos, em especial com a nova regulamentação definida pela União Europeia. A tendência é que esse movimento se acelere em 2018, com cada vez mais países ou blocos de países definindo regras para tentar proteger seus cidadãos (junto com seus interesses nacionais).

Se por um lado a questão da privacidade pode ser vista como uma ameaça para a área de Big Data, por outro abre enormes oportunidades. A aquisição de informações com origem comprovada, a aplicação de outras tecnologias, como o blockchain, para proteger dados pessoais, e até mesmo a utilização de técnicas avançadas de modelagem estatística para derivar comportamentos e perfis a partir de dados anônimos são todas áreas de oportunidade para soluções de Big Data, que tendem a crescer. O Big Data ético e responsável assume cada vez mais a frente das discussões.

Mídia

Quando pensamos em ética e responsabilidade, não há como não falarmos da mídia, dos anúncios online, e, especialmente, de como esse aspecto do Big Data pode ser abusado para produzir situações como as famosas fake news, a manipulação de dados para disseminar visões incorretas ou incompletas da realidade, ou outras táticas adotadas em campanhas políticas.

Se por um lado a imagem das empresas que atuam com Big Data na política ficou um tanto quanto manchada após as eleições americanas de 2016, por outro lado o que ficou muito claro para todos foi a capacidade dessas ferramentas e da análise de dados para influenciar os resultados de uma disputa eleitoral. O Big Data, aplicado corretamente, pode ajudar a se comunicar melhor com os eleitores, a encontrar novos eleitores ou grupos de eleitores indecisos, a identificar temas relevantes para a população, e, de uma forma geral, a otimizar e maximizar os esforços de campanhas. Em 2018, estamos passando por um período eleitoral único no Brasil, com um ciclo de campanha reduzido e sem nenhum candidato despontando como favorito claro. É uma situação perfeita para que os candidatos e partidos empreguem soluções de Big Data ao longo do processo eleitoral.

Cada vez mais, as aplicações específicas do Big Data terão precedência sobre tecnologias e técnicas, e as principais tendências para 2018 são um reflexo disso: aplicações que terão um enorme impacto sobre a sociedade, e que só existem hoje devido as inovações e transformações que o Big Data trouxe para a área de tecnologia. Se você atua na área, essa é uma lição importante. Mais do que se preocupar em aprender a utilizar alguma ferramenta ou técnica, seu desafio está em descobrir novas aplicações para os dados.

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