A profusão de informações extraídas do Big Data tem servido de munição para muitas empresas alavancarem seus negócios e governos aumentarem a eficiência de seus processos e políticas públicas. Então, diante desse cenário, para muitos o Big Data ganhou contornos de uma entidade quase mística, com poderes ilimitados, tecnologias e ferramentas com potencial para mudar o mundo. Será que é tudo isso mesmo?

Em mais esse post da série Mitos do Big Data nós vamos desvendar essa ideia de onipotência criada em torno da tecnologia e ainda mostrar que ela nem mesmo pode ser considerada uma novidade. As transformações que testemunhamos e que normalmente são creditadas ao Big Data têm muito mais a ver com as aplicações feitas a partir dele como uma ferramenta, e não com a sua simples existência. Se você não está levando fé nessa história e acha que nós só estamos querendo baixar a bola do Big Data, fica ligado que nós explicamos o porquê.

Eu nasci há mais de 400 anos atrás…

Todo esse frisson em torno do Big Data e suas ferramentas vem crescendo há mais ou menos uma década, quando a tecnologia surgiu, certo? Muito errado, por uma margem simplória de aproximadamente 400 anos. No ano de 1600 o astrônomo alemão Johannes Kepler já se baseava no uso de uma grande quantidade de dados para compreender como funcionavam os movimentos de planetas e corpos celestes. Então, podemos dizer que o Big Data Analytics é uma evolução desse princípio de estudos estatísticos, criado há centenas de anos para suprir uma demanda de necessidade de compreensão humana. Ou seja, nada muito diferente do que é hoje, quando utilizamos o Big Data numa busca incessante por informações e respostas.

A diferença é que atualmente há muito mais tecnologia envolvida no desenvolvimento de soluções que nos permitam recolher e analisar em alta velocidade uma quantidade de dados infinitamente maior. No entanto, assim como havia barreiras que limitavam o processamento de dados há 400 anos, elas continuam existindo, e provavelmente vão continuar a existir daqui a outros tantos séculos.

O Big Data como um caminho

É claro que a capacidade de processamento de dados e informações é muito maior quando realizada por uma máquina equipada com softwares e algoritmos desenvolvidos com esta finalidade. Contudo, a análise de dados feita por computadores é realizada com base em premissas inspiradas no raciocínio lógico humano, uma vez que somos nós, de carne e osso, os responsáveis por programar essas máquinas, geralmente à nossa imagem e semelhança intelectual. Em outras palavras, desenvolvemos ferramentas que façam exatamente o que nós fazemos, só que de forma muito mais rápida e com menores chances de erro, para que então, com esse tempo livre, possamos nos dedicar a outras tarefas menos mecanizadas.

Nós já falamos aqui no blog que as informações extraídas do Big Data têm pouquíssimo valor se não soubermos exatamente o que estamos procurando, ou seja, de nada adiantam as respostas encontradas se não somos capazes de fazer as perguntas certas. De forma geral, as tecnologias e ferramentas de Big Data são um caminho para as respostas, e não as respostas em si.

Dito isso, podemos afirmar então que não é o Big Data que muda o mundo, e sim que ele proporciona uma análise de dados muito mais veloz, capaz de gerar uma série de informações relevantes. Essas informações são então interpretadas por pessoas e funcionam como um fator a ser considerado na tomada de decisões, entre diversos outros fatores.

Logo, repetimos: não é o Big Data que muda o mundo. Pessoas mudam o mundo, e desde sempre mudanças históricas acontecem através de decisões importantes que impactam na vida de milhares, e até milhões, de indivíduos. A diferença é que hoje, graças às tecnologias de dados, essas decisões são tomadas de forma muito mais assertiva e com muito mais embasamento.

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