Dizer que os dados e as informações estão entre os ativos mais importantes das empresas não é mais nenhuma novidade. Já falamos isso dezenas de vezes aqui no blog, e estamos longe de ser os únicos ressaltando esse ponto. No entanto, por mais que o valor dos dados já faça parte do senso comum, poucas são as empresas que realmente possuem uma cultura de dados. Menor ainda é a quantidade que tem uma cultura de dados realmente eficiente.

Para entender a razão disso, é importante destrincharmos os termos. Quando falamos de cultura de dados, estamos falando de uma cultura corporativa baseada na utilização de dados e informações para embasar todo tipo de decisões que a empresa toma: quem contratar, quais benefícios e salários oferecer, como evoluir os produtos, quais clientes aceitar ou não. Ter uma cultura de dados é usar as informações coletadas ao longo da vida da empresa – e outras informações de mercado que podem ser adquiridas – para tomar melhores decisões sobre cada um desses pontos.

No mercado corporativo de grande parte do mundo, e especialmente no Brasil, a maior parte das empresas valoriza mais a experiência prévia e a opinião dos líderes e gestores do que os dados em si. Existem dezenas de razões, culturais e históricas, para esse favorecimento, mas o fato é que essa valorização muitas vezes bate de frente com o que os dados mostram, resultando em decisões que ignoram as tendências ou caminhos que os dados sugerem em favor do que o gestor imagina ser o correto. Isso, obviamente, não é uma cultura de dados.

Porém, criar uma cultura de dados não é só passar a tomar todas as decisões baseadas no que os números passados nos mostram. Precisamos também olhar para o que está acontecendo no presente, para a realidade operacional de hoje, e combinar isso com as informações passadas, ajustando o curso conforme necessário. Em outras palavras: os dados podem nos transmitir uma visão incorreta ou incompleta da realidade, e a decisão que tomamos com base neles pode ser errada. As empresas têm que ser capazes de rapidamente reconhecer esse tipo de erro e ajustar seus processos, através da coleta e análise constante de informações. É esse ponto que estamos endereçando quando falamos de “eficiência” no uso dos dados.

A cultura de dados eficiente, portanto, requer uma mentalidade de constante experimentação e avaliação. Não basta só analisar dados passados, nem focar apenas na coleta de informações operacionais em tempo real. É necessário combinar as duas competências em uma operação capaz de experimentar e ajustar decisões e processos conforme novos dados vão aparecendo, sem perder tempo com a crítica ou a busca por culpados quando um experimento dá errado. O que está por trás da mentalidade de experimentação é o entendimento de que a maior parte dos testes vão dar errado mesmo, e que mais importante do que acertar é você saber reconhecer e corrigir rapidamente seus erros.

Já falamos diversas vezes que o futuro é das empresas que melhor sabem trabalhar seus dados, e que conseguem transformar esses dados em resultados positivos de maneira eficiente. Para fazer isso, você precisa incorporar não só a valorização das informações na cultura da sua empresa, mas também a liberdade de cometer erros no dia-a-dia da empresa. Sem isso, você pode até ter uma cultura de ouvir e analisar os dados, mas ela dificilmente será eficiente, e dificilmente vai gerar valor real para a sua empresa.

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