Pessoas e empresas estão o tempo todo gerando informações e criando conexões, sem, contudo, prestar atenção no valor delas. Um exemplo cotidiano são as compras on-line, super em alta nos tempos em que vivemos por causa da pandemia. Em minutos, passamos para o site dados como nosso CPF, nome, data de nascimento, endereço, a forma de pagamento e o banco do qual somos clientes, e até contas de redes sociais, só para fazer uma compra rápida.

E no e-commerce, nós ainda ativamente enviamos esses dados. Em várias outras situações, entregamos as informações sem perceber que estamos fazendo isso. No Youtube, uma das plataformas onboarding – aliás, tema do nosso último webinar – mais eficientes do mundo, cada upload, cada clique em um vídeo, cada assinatura de um canal, cada vez que escrevemos um comentário ou desaprovamos um conteúdo, estamos gerando informações.

A estimativa é que mais de 400 horas de vídeo são enviadas à plataforma por minuto e mais de um bilhão de horas são assistidas todos os dias por usuários ao redor do mundo todo. Já parou para pensar a infinidade de conteúdos gerados, a quantidade de dados pessoais que circulam, a geração de consumo, as possibilidades de negócios realizados a partir da plataforma. O YouTube vale bilhões de dólares para o Google justamente por causa desses dados todos. Como podemos calcular o valor de cada um desses dados?

Para determinar o valor de um dado é preciso observar quatro dimensões: a raridade, a tempestividade, a aplicabilidade e o grau de especialidade dele. Importante lembrar que um dado pode se encaixar em um, dois ou todos os parâmetros, como veremos a seguir.

 

Entendendo as dimensões dos dados

Pense quantas vezes ao dia você fala (ou digita) o número do seu CPF. É um número único, atribuído por uma autoridade central (o Governo) única e exclusivamente para você, que você usa em muitas interações: para declarar os seus impostos, para conseguir crédito, para abrir uma conta, para comprar um telefone, e assim por diante. Ao mesmo tempo, é um número que, sozinho, não tem valor nenhum. É, portanto, seria um exemplo de dado que não tem valor, porque não tem aplicabilidade, não muda nunca, e, sozinho, não serve para nada além de te identificar.

Já a tempestividade tem ligação direta com duração e oportunidade, ou seja, o dado no tempo certo. Se você descobre, 5 minutos antes do sorteio, a sequência de números vencedores da loteria, esse dado vale muito, pelos próximos 5 minutos. É uma informação extremamente tempestiva, se você não agir rápido, ela perde o valor. Dados muito tempestivos tendem a ter um valor muito alto em um momento específico, e depois não valer mais nada. Ao mesmo tempo, dados menos tempestivos, com maior duração (o seu nível de formação acadêmica, por exemplo) tem um valor menor, mas que se sustenta para sempre

O mesmo exemplo dos números vencedores da loteria representam também a dimensão de raridade. Se só você conhece os números, o valor deles é o prêmio total. Se todo mundo conhecesse, o prêmio seria dividido por todos, ou seja, o valor seria muito menor. Quanto mais difícil de conseguir, quanto menos gente tem acesso, no geral, mais valiosa é uma informação.

Ao pensarmos na aplicabilidade, podemos pensar em uma base para orientar políticas públicas mais eficientes de combate à pandemia. Por exemplo, se eu sei que 8 em cada 10 pacientes intubados por causa da doença morreram no ano passado no Brasil, o investimento em prevenção precisará ser maior do que a construção de novos leitos, porque não é uma questão de ter onde internar, mas da sobrevida de quem passa por um procedimento invasivo. O valor dessa informação é enorme, porque tem o potencial de ajudar o governo a salvar milhares de vidas.

No quesito de especialidade (ou grau de especialização) de um dado, um exemplo interessante é o da francesa Babolat, que criou uma raquete com a alcunha de “inteligente”, porque coletava dados de desempenho de jogadores de alta performance em quadra. Os dados gerados foram aproveitados pela empresa para mudar o direcionamento do negócio, sendo aplicados no desenvolvimento de novos produtos, em pesquisas e outras experiências da marca. A informação é altamente especializada, e não se aplica a praticamente nenhum outro negócio ou mercado, mas para esse mercado específico, tem muito valor.

Como vimos, as dimensões podem aparecer com maior ou menor preponderância em um dado e isso vai determinar, por exemplo, se a informação tem maior ou menor valor. E, nesse sentido, o quanto a informação poderá te auxiliar em uma tomada de decisão, na construção de uma estratégia ou na conexão de serviços deverá ser levado em conta para saber se aquele dado tem ou não valor para você.

 

Conclusão

Muitas vezes, a pergunta: “quanto vale?”, é respondida com “quanto custa”, ou seja, com uma classificação monetária simples, que acaba por incorrer na métrica de “barato ou caro”. Mas não se trata disso. O que devemos considerar é o  resultado desejado, ou seja, o que aquele dado vai gerar para a minha vida, se for um indivíduo, ou para o meu negócio, se estivermos falando no contexto empresarial. Dessa forma, será possível calibrar a relação entre o quanto vale e o quanto custa e, assim, virar a chave do “gasto” para “investimento”. E investir em dados não é apenas obtê-los, afinal, um dado sem uma aplicação, sem um objetivo, sem gerenciamento ou contexto, é apenas um dado, e não uma informação. Isso tudo, portanto, precisa ser colocado na conta do valor.

BigDataCorp