Dependendo de quanto tempo você está no mercado de trabalho, é possível que, em algum momento, você tenha armazenado (ou visto alguém armazenar) informações em papéis, guardados em imensos armários de ferro que pesavam toneladas. Consultar dados era um trabalho hercúleo, que exigia das empresas a contratação de profissionais especializados em organizar, catalogar, e arquivar as informações, além de conseguir encontrá-las quando necessário.

Com a chegada dos computadores, a vida ficou muito mais fácil. Os dados passaram a ser digitalizados, e armazenados em discos e servidores internos, que podiam ser acessados diretamente pelos funcionários com qualquer máquina conectada na rede local. O advento da internet, e das soluções de compartilhamento de dados, só acelerou esse processo, permitindo o acesso remoto – mesmo que lento – aos servidores e dados.

O surgimento da computação na nuvem, e, especialmente, do armazenamento de dados na nuvem, mudou novamente a forma de trabalho das empresas. Os provedores deste tipo de solução oferecem um espaço virtualmente ilimitado de armazenamento, com redundâncias e garantias de disponibilidade que são praticamente impossíveis de serem replicadas em um datacenter interno, e a um custo muito menor do que a manutenção de servidores próprios. Isso sem falar na conveniência: a possibilidade de acesso por múltiplos usuários, de qualquer lugar do planeta, a qualquer hora, viabiliza toda a realidade de trabalho remoto que estamos vivendo hoje.

Apesar de todas as vantagens, e apesar desses sistemas e serviços serem amplamente utilizados, existem algumas questões que a maioria das empresas não entende, e, portanto, para as quais não se atenta na hora de estruturar seus processos de guarda dos dados. Vamos explorar abaixo os 4 principais pontos de atenção:

 

1. Entenda o serviço que você está contratando

Muitas empresas acham que armazenar os dados na nuvem resolve todos os problemas do armazenamento de dados: é só guardar lá, que você já vai ter os backups, o versionamento, o controle de acesso, trilhas de auditoria, e todas as funcionalidades que precisa para a gestão da informação. Nada poderia estar mais longe da realidade. Serviços de armazenamento, como o nome diz, fazem apenas o armazenamento. No geral, as outras funcionalidades precisam ser contratadas à parte, e integradas com o sistema que você está usando. Muitas empresas já perderam quantidades massivas de dados por assumir que estavam sendo duplicados automaticamente, ou sofreram vazamentos enormes porque achavam que qualquer coisa colocada no armazenamento era automaticamente privada. Entenda o serviço que você está utilizando para evitar gafes desse tipo.

 

2. Se informe da legislação aplicável

Quando você contrata um serviço de armazenamento de dados na nuvem, é importante prestar atenção no contrato sobre o local onde os dados serão armazenados. Embora a nuvem seja, em teoria, um lugar abstrato, os data centers nos quais os serviços de nuvem rodam são reais, localizados em diferentes países. E praticamente todas as legislações de privacidade do mundo – seja a própria LGPD, a GDPR, ou outras – colocam restrições sobre a movimentação de dados privados dos cidadãos de seus países. Parte da sua responsabilidade perante a lei é entender se os dados que a sua empresa coleta podem ou não ser transferidos, e que tipo de proteções e garantias você precisa adotar.

 

3. Proteja de verdade os dados

Ofuscação – tentar esconder os dados com interfaces de acesso obtusas, endereços estranhos e estruturas de dados complexas – não é uma estratégia de segurança viável. Quando você coloca dados na nuvem, está aumentando o nível de exposição desses dados, e assumindo o risco de acessos indevidos ou indesejados à essa informação, independente do serviço de armazenamento que você escolheu e das precauções que você tomou. Assim, utilizar mecanismos de criptografia dos dados, em todas as camadas do armazenamento, é fundamental para protegê-los, garantindo que, mesmo que ocorra um acesso indevido ou um vazamento, eles não vão ter utilidade para os criminosos.

 

4. 99.9999% não é 100%

Quando contratamos um serviço de armazenamento de dados na nuvem, geralmente são oferecidas garantias de disponibilidade dos dados bem agressivas, com os famosos “4 noves” (99.9999%) ou mais colocados em contratos e termos de uso. Isso pode parecer muita coisa, mas essa disponibilidade é sempre uma função da quantidade de dados que você está armazenando, e da forma como esse armazenamento é feito. O que esse número significa, de forma geral, é que a cada um milhão de arquivos armazenados, um vai dar problema. Pode parecer pouco, mas, dependendo do tipo de informação, pode ser um problema significativo.

 

Entendendo essas questões, você e sua empresa vão estar prontos para tirar o máximo de proveito desse universo de armazenamento e tratamento de dados na nuvem, reduzindo seus custos operacionais e possibilitando uma escala quase infinita para os seus processos de informação.

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