Em oito meses, sobe de 0,61% para 0,74% o total de sites no Brasil que atendem todos os testes de acessibilidade.

 

Pela segunda vez, desde agosto de 2019, Movimento Web para Todos e BigData Corp visitaram os 14,65 milhões de endereços ativos da internet brasileira para avaliar o seu nível de acessibilidade. Avanço dos sites aprovados parece tímido, mas é proporcionalmente bem representativo, equivalente a 21%; em relação aos sites do governo, o total de falhas foi reduzido em três pontos percentuais.

 

Na segunda extensa avaliação sobre a experiência de navegação na web das pessoas com deficiência no País, conduzida em conjunto pela BigData Corp e o Movimento Web para Todos em 14,65 milhões de sites no País, percebe-se que a web brasileira ainda é grandemente inacessível para os cidadãos com alguma deficiência, seja ela de visão, audição, motora e afins. Ainda assim, há o registro de uma variação mínima no total de sites que tiveram sucesso em todos os testes de acessibilidade aplicados: se em agosto passado eles eram 0,61%, ao final de abril de 2020 chegaram a 0,74%.

“Esse é um crescimento pequeno, mas proporcionalmente equivale a um aumento superior a 21%”, pondera Thoran Rodrigues, CEO e fundador da BigDataCorp, empresa responsável pelo levantamento. “Outra forma de enxergar uma tendência positiva, ainda que tímida, é o fato de que, se no ano passado havia 5,6% de sites que falharam em absolutamente todos os testes aplicados, hoje são apenas 0,01% que “zeraram” em nossos testes”, brinca ele.

Para o executivo, vistos em conjunto, esses dois dados apontam para uma tendência em prol da solução dos problemas vivenciados por cerca de 46 milhões de brasileiros ao navegarem na internet. “Mas o fato é que ainda temos 99,26% dos sites com pelo menos um problema a ser solucionado em termos de acessibilidade”, adverte.

A data de hoje foi escolhida para a divulgação da pesquisa porque marca o Dia Global de Conscientização sobre a Acessibilidade (GAAD – Global Accessibility Awareness Day –, na sigla em inglês).  Outros dados apurados confirmam que o quadro indica uma acessibilidade ainda em seus primórdios, dando os seus primeiros passos.

Nesses oito meses, os sites governamentais registraram alguma melhoria. No primeiro monitoramento, 99,66% deles acusavam algum problema de acessibilidade; hoje são 96,71% uma queda próxima a três pontos percentuais. Visto de outra forma, há oito meses, apenas 0,34% dos sites governamentais não continham falhas; hoje são 3,29%. Ou seja, os sites governamentais “nota dez” mais que decuplicaram no período.

O levantamento constatou também que os sites brasileiros com problemas nos links subiram de 83,56% para 93,65% no período entre as duas pesquisas, enquanto os sites com algum problema de acessibilidade nas imagens registraram um ligeiro incremento, passando de 83,25% para 83,36%.

Este segundo monitoramento da web do País ampliou o seu detalhamento, verificando qual era a acessibilidade em tipos diferentes de sites. E apurou que os educacionais são os que se encontram mais bem posicionados: dentre eles, 3,88% não apresentam nos testes realizados qualquer barreira de acesso a pessoas com deficiência, um resultado mais que 5 vezes melhor que o percentual geral, que é de 0,74%. Em seguida, os de notícia: 3,03% passaram em todos os testes. Os corporativos alcançaram o índice de 2,81% de sucesso pleno; os de e-commerce, 1,30%, os blogs, 1,24%. Outros tipos de sites, não classificados, puxam o percentual total para baixo.

Para Rodrigues, a mudança da web brasileira em prol das pessoas com deficiências depende, basicamente, da adesão das empresas e instituições à causa. “A transformação seria muito mais rápida se a legislação especificasse quais são os critérios de acessibilidade um site deve ter. Por enquanto, a legislação nacional não passa de uma declaração de boa vontade do legislador, mas sem nenhuma aplicação prática”, ressalta.

 

Metodologia

A BigDataCorp utilizou o processo de captura de dados da internet extraídos de visitas a mais 28 milhões de sites brasileiros (ativos e inativos), dos quais são obtidos informações estruturadas e seus links. Foram desconsiderados os sites inativos, ou seja, os que estavam fora do ar ou que não responderam a visitas por quatro semanas seguidas. Também foram desprezados os que, por oito semanas consecutivas, não fizeram qualquer alteração em seu conteúdo. Por fim, não foram levados em conta os sites sem conteúdo, ou com conteúdo de texto simples, os sem tags, os sem links ou os sem imagens. Desta forma, os testes se aplicaram a apenas 68.18% do total de sites da web no País. Foram considerados neste estudo, portanto, cerca de 14,65 milhões de sites.  A metodologia detalhada está disponível no site do Movimento Web para Todos neste link: http://bit.ly/metodologiaMWPT

BigDataCorp