63,46% dos apps mais populares do País possuem menos de 10% dos elementos que facilitam o uso por pessoas com deficiência visual

Só 1,64% dos aplicativos com mais de 10 milhões de downloads na App Store brasileira do Google possui, ao menos, a metade dos elementos de interface visual que garantem uma melhor experiência de uso por pessoas com deficiência, revelam BigDataCorp e o Movimento Web Para Todos (MWPT)

 

São Paulo, 16 de setembro de 2020 – Para conhecer qual é o nível de acessibilidade dos principais aplicativos em uso no País, a BigDataCorp e o Movimento Web para Todos avaliaram na primeira semana de agosto todos os 2.068 apps que ultrapassaram a marca de mais de 10 milhões de downloads no País. O resultado desse levantamento pioneiro confirma o quanto a questão da acessibilidade ainda está longe de ser uma preocupação disseminada: apenas 1,64% dos aplicativos mais populares possui, ao menos, a metade dos elementos de interface visual que deveriam apresentar para facilitar o seu uso por pessoas com deficiência.

Os elementos  de interface visual, na prática, melhoram a experiência de acesso de um deficiente visual, pois detalham se o que está sendo acessado é uma imagem (descrevendo-a), ou um botão (detalhando o seu uso), ou um campo editável, explicitando que ali se trata de um espaço para ser preenchido com dados solicitados ao usuário. Essas informações são um verdadeiro mapa para que um cego ou alguém de baixa visão possa encontrar no aplicativo onde deve se cadastrar para encomendar a entrega de uma pizza, por exemplo, consultar a previsão do tempo, ou para baixar uma música de sua preferência.

A pesquisa indica que esses apps mais populares possuem, em média, apenas 11,13% dos elementos de interface visual que poderiam apresentar. Da mesma forma, em média, explicitam o conteúdo de apenas 13,57% das imagens e 10,57% dos botões. Já, os campos editáveis, são detalhados por elementos de interface visual, em média, em 36,59% dos casos.

O levantamento apurou que, dentre esses 2.068 apps analisados, 63,46% têm menos do que 10% de todos os elementos de interface visual que poderiam apresentar.  Da mesma forma, 55,49% deles possuem menos de 10% dos elementos de interface visual que poderiam dispor para as imagens; 73,66% para os botões e 62,64% para os campos editáveis. No extremo oposto, apenas 0,34% apresentam, em média, mais de 75% de todos os elementos de interface visual que poderiam explicitar; 1,01% tem mais de 75% dos elementos de interface visual para as imagens, 4,11% para os botões e 36,30%, para os campos editáveis.

“Esses resultados são semelhantes ao que encontramos nos sites da internet”, comenta Thoran Rodrigues, CEO e fundador da BigDataCorp. Um levantamento feito pela empresa, também em parceria com o Movimento Web Para Todos (MWPT), em outubro passado, revelou que, dos 14 milhões de sites brasileiros ativos, menos de 1% passou nos testes de acessibilidade. No caso dos sites governamentais, o percentual encontrado foi de 0,34%. “É importante pontuar, no entanto, que, apesar de não haver todos os elementos de interface visual em boa parte dos apps, isso não quer dizer que eles não sejam acessíveis. A questão é que a experiência de um usuário com deficiência visual torna-se muito melhor se eles estiverem presentes”, acrescenta.

BigDataCorp