Se você não aproveitou a Black Friday, o jeito agora vai ser esperar o Natal e torcer para que os e-commerces mantenham a média de descontos praticados na “sexta-feira negra”. Afinal de contas, de acordo com a Webshoppers, as três datas mais expressivas do comércio eletrônico são Black Friday, Natal e Dia das Mães, não necessariamente nessa mesma ordem.

Um estudo desenvolvido pela BigDataCorp sob encomenda do PayPal Brasil e divulgado recentemente pela imprensa mostrou que os descontos médios de 2021 superaram os do ano passado (51,36%), batendo em 57,38%, o que pode caracterizar uma reação do comércio ao cenário econômico ainda desafiador.

Por causa da pandemia de Covid-19, no decorrer dos últimos dois anos, as compras on-line se tornaram parte da rotina dos brasileiros e os varejistas entenderam que o ambiente virtual é fundamental para incrementar as vendas, principalmente nessas três datas de maior destaque. Descontos antecipados que beiraram os 50% duas semanas antes da data demonstram a preocupação e a consciência dos lojistas em garantir vendas durante todo o mês de novembro. E para além da venda, não podemos desprezar a capacidade de entrega dos produtos vendidos até a Black Friday propriamente dita.

Outros pontos também chamaram a atenção dos responsáveis pela 7ª edição do estudo, que começou a ser feito em 2015. Este ano, a pesquisa percebeu que, há 2,5 meses, a adesão às promoções viralizou no Brasil. Isso demonstra uma continuação na tendência de antecipação das promoções e anúncios relacionados à Black Friday, como uma tentativa de atrair mais consumidores para as lojas on-line. Também há oito semanas, 60,49% dessas lojas já ofereciam promoções. Mas o “boom” mesmo ocorreu à meia-noite do dia 25 (quinta-feira) para o dia 26 (sexta-feira de Black Friday), quando a adesão das lojas virtuais às ofertas chegou a 97,72% nos mais de 1,6 milhão de e-commerces do Brasil. Um resultado sem precedentes.

Diferentemente dos anos anteriores, em que era comum ouvirmos a piada de que, na Black Friday, tudo era vendido pela metade do dobro do preço, este ano o movimento parece ter sido outro, talvez em uma tentativa de compensar parte do aumento de preços e a redução de consumo causados pela inflação. Entre os maiores e-commerces do país (aqueles com mais de 500 mil acessos por mês), o desconto médio foi de 64,71%. Nos demais, a média chegou a 56,92%. Nas oito semanas anteriores à Black Friday, os descontos chegaram, em média, a 10,56%. Já duas semanas antes da data, eles avançaram progressivamente para 49,11% (contra 45,35% em 2020 e 10,58% em 2019).

No Top 5 das categorias em que a pesquisa da BigDataCorp encontrou os maiores descontos, a medalha de ouro foi para livros, músicas e filmes, principalmente digitais (70,26%), seguidos por eletrônicos (62,93%), brinquedos (51,83%), cosméticos e produtos de beleza (50,02%) e roupas, sapatos e acessórios (48,22%).

Vale reforçar que os valores citados na pesquisa são preços médios dos sites, ou seja, a média do preço de todos os produtos vendidos em uma dada loja virtual. Para a pesquisa, a BigDataCorp realizou a coleta dos sites a partir de uma base de dados com endereços (URLs), que foi construída por um processo que roda há mais de oito anos e que visita mais de 1,5 bilhão de sites no mundo inteiro. São analisadas informações estruturadas extraídas de visitas a mais de 35 milhões de sites brasileiros. Excluindo os sites que estão fora do ar ou que não respondem a visitas por quatro semanas seguidas e os que, por oito semanas consecutivas, não fizeram qualquer alteração em seu conteúdo, o estudo considerou mais de 17 milhões de sites ativos no Brasil.

BigDataCorp