Esse é mais um post da série Big Data nas Eleições! Hoje nós vamos falar sobre como as ferramentas de mídias sociais e outras plataformas de Big Data podem ser utilizadas para detectar temas sensíveis aos eleitores e suas reações a eles, permitindo assim a criação de discursos e campanhas direcionadas a determinados públicos, de forma que esses recebam as mensagens mais adequadas às suas convicções.

Se você está achando esse um papo muito Black Mirror, acompanha o post de hoje que nós vamos mostrar como a sua movimentação online diz muito mais sobre você do que parece, e como isso faz com que o seu perfil se encaixe em grupos pré-determinados de eleitores dispostos a receber essa ou aquela mensagem.

Você é o que você curte

Aparentemente o seu perfil no Facebook não revela muito sobre as suas convicções políticas. Informações como nome, idade, colégio onde já estudou, familiares relacionados e os livros e filmes que você mais gosta não dizem tanto assim a seu respeito, não é mesmo? Talvez não tanto, porém já é um bom começo.

As empresas de marketing político não estão interessadas em saber o que você comeu naquele restaurante da moda ou bisbilhotar a última foto que você postou com a sua família. No entanto, algoritmos específicos conseguem interpretar seus medos, preferências e opiniões sobre temas polêmicos muitas vezes melhor do que você mesmo, só usando as interações que você faz em posts para traçar um perfil da sua personalidade como eleitor.

Contudo, é claro que o Facebook não é a única fonte de dados capaz de encaixar você em um nicho eleitoral. Empresas de marketing político hoje conseguem captar, entre outras coisas, suas pesquisas no Google, interações no Twitter e até celebridades e digital influencers que você acompanha no Instagram para ajudar a traçar nuances da sua orientação política.

Temas sensíveis = trunfos eleitorais

Além de revelar informações mais generalistas, como se você pende mais para a esquerda ou para a direita e se tem tendências mais liberais ou conservadoras, esse rastreamento de perfis de eleitores tem um alvo bem mais específico, que são os temas mais polêmicos, chamados também de temas sensíveis.

São eles os decisores de maior peso nas disputas de campanhas, e que muitas vezes podem fazer um eleitor mudar de um candidato para outro no extremo oposto. Em tempos de uma super polarização política, como o que estamos vivendo, a opinião da população votante sobre assuntos como aborto, maior idade penal, porte de armas e privatizações de instituições públicas vale ouro para as equipes de marketing político.

Utilizando as ferramentas de Big Data nesse mapeamento é possível que os comitês eleitorais adaptem os discursos a cada tipo de pessoa. Então, por exemplo, se um candidato de extrema direita é a favor da redução da maioridade penal e você não, as chances de você ter contato com a campanha online desse político com um discurso mais brando é muito maior. Em casos mais extremos, as publicidades e textos sugeridos dos candidatos que aparecem para você nas redes sociais podem conter somente os tópicos cujas opiniões vocês têm em comum. De forma geral, essas adaptações podem não ser ilegais, mas configuram a manipulação de discursos visando persuadir eleitores.

 

Para não ficar vulnerável a essas meias verdades, nossa sugestão é que você busque se informar sobre os candidatos através da maior variedade de canais possível, e não acredite somente no que cai no seu colo. Vale visitar os sites oficiais, conhecer as posições dos partidos, buscar os históricos de atuação e votação em plenárias e etc. Já dizia o ditado “caiu na rede, é peixe”, e atualmente todos nós estamos na maior rede do mundo.

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