O debate sobre os riscos que rondam as informações disponíveis na web tem dado voz ao lado B da questão, alertando para o que há de mais temeroso no que diz respeito à economia de dados. Mas nem só de perigos é feita a data science. O cuidado com a privacidade, a segurança, o phishing, entre outras ameaças, não pode ofuscar as vantagens reais e tangíveis trazidas pelo compartilhamento de dados. Tanto que a economia de dados ganhou relevância e praticamente determina o dia a dia das pessoas, do lazer ao trabalho.

Um caso clássico de uso de dados para impulsionar um negócio, na área de entertainment, é a série House of Cards, produzida pela Netflix, que conquistou milhões de espectadores graças à ciência de dados. Quando lançou o título dos Estados Unidos, a empresa sabia exatamente o número de pessoas passíveis de se interessar pela produção, que já havia sido um sucesso na Inglaterra. Sua base de dados permitia conhecer com profundidade as preferências dos norte-americanos. Ferramentas de inteligência artificial detectaram não somente o que as pessoas assistiam nas telinhas, mas o que elas procuravam, do que gostavam e até em que parte dos filmes elas pausavam ou pulavam cenas. Assim, a Netflix criou um modelo algorítmico para a produção de filmes e séries de sucesso.

No cotidiano, o processamento de dados movimenta inúmeros setores da economia mundial. Alguém se imagina vivendo hoje sem o mecanismo de buscas do Google ou sem a localização por satélite utilizada pelo Waze? Revolucionada pela pandemia da Covid-19, como seria a vida profissional sem a possibilidade de trocar mensagens, acessar arquivos na nuvem ou fazer reuniões virtuais por meio de plataformas como a Zoom?

Um estudo da Oxford Economics (2017) mostrou que, em 2016, a economia digital do mundo representava 15,5% do PIB global, com uma perspectiva de chegar a 24,3% em 2025. Há dois anos, outro levantamento, realizado pelo Google, em parceria com o banco BCG, indicava que as organizações que mais cresceram nos últimos anos têm no seu core business a cultura data driven, tendo obtido uma redução de 30% nos custos e um aumento de 20% nas receitas. Dados mais recentes, de um estudo da Accenture, sinalizam que a economia digital deverá ser responsável por 25,1% do PIB brasileiro em 2021; e 22,5% no âmbito mundial.

Especialistas já alertam que, no pós-pandemia, a aceleração da economia digital será inevitável. Um novo modelo de negócios foi instaurado com o isolamento social e, a despeito dos efeitos da Covid-19 no mercado em geral, o setor de Tecnologias da Informação e da Comunicação não foi tão afetado. No Brasil, uma pesquisa realizada no segundo trimestre de 2020 pela Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) para medir os impactos da Covid-19 no setor TICs detectou que cerca de 45% das empresas tiveram baixo impacto; 37% registraram impacto moderado; e cerca de 7%, não sofreram nenhum impacto.

Todas as precauções com os dados pessoais dos clientes e mesmo com os nossos próprios dados, são mais do que aconselháveis; são uma obrigação legal das empresas para garantir os direitos dos cidadãos. No entanto, é fundamental lembrar do lado A da questão: o direito a desfrutar do que a tecnologia proporciona à sociedade, em uma escalada de progresso científico benéfico e irreversível.

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