A coleta de dados através de extensões adicionadas nos navegadores, ou por meio de aplicativos móveis, e o uso dessas informações para propaganda direcionada já é bastante conhecida pelos internautas. Também já ouvimos falar muito dos anúncios maliciosos, chamados malvertising, que inserem vírus nos dispositivos e sistemas. A novidade que começa a chamar atenção agora é um tipo de anúncio destinado menos a vender algum produto e, mais, a capturar dados de usuários da web.

Nessa nova modalidade de publicidade virtual, o objetivo não é divulgar um produto ou levar o possível cliente para dentro de determinada loja. A ideia, por trás do clique no anúncio, é coletar informações dos indivíduos para revender a outros anunciantes, na maioria dos casos sem o conhecimento (e sem o consentimento) das pessoas.

Um caso que chamou atenção recentemente foi a veiculação massiva de um anúncio de pijama, após a publicação de uma matéria pela revista Elle, nos Estados Unidos. A reportagem sobre uma jornalista que se apaixonou pelo polêmico ex-gerente farmacêutico Martin Shkreli, após cobrir sua prisão, foi um sucesso instantâneo. No entanto, após clicar na bela história, os leitores foram bombardeados, em todos os seus canais de presença digital e redes sociais, por um anúncio de uma mulher de pijama xadrez com uma abertura frontal e traseira que deixavam essas partes do corpo parcialmente descobertas.

Milhares de leitores receberam inúmeras exibições, em suas telas, do anúncio do macacão xadrez “IVRose”. Porque os algoritmos concluíram que o público que estava interessado naquela história de sedução tinha o perfil, de acordo com o conjunto de dados coletados, para receber certo tipo de anúncio, que incluía o tal pijama com “traseiro exposto”. Para alguns, o tal anúncio inusitado apareceu mais de seis vezes durante a leitura da reportagem. O assunto ganhou uma longa discussão no Twitter, com leitores de todos os cantos relatando que foram surpreendidos pelo mau gosto do anúncio e pela quantidade de vezes a que foram submetidos a ele.

Em sua coluna para o portal de tecnologia Gizmodo, o editor Shoshana Wodinsky afirmou que uma das teorias para a aparente onipresença do macacão xadrez seria a possibilidade de uma falha na tecnologia de “segurança de marca” de terceiros, que grandes anunciantes costumam usar para evitar que suas marcas sejam ligadas a conteúdo inadequado. A ausência dessa precaução teria deixado um vácuo para o anunciante de nível inferior se instalar nas páginas de uma publicação dirigida a classes altas.

Porém, outro analista, Krzysztof Franaszek, fundador da plataforma de análise de dados Adalytics, foi mais a fundo e descobriu que a IVRose estava usando cookies de segmentação comportamental ou demográfica “​​para identificar, rastrear e direcionar os usuários que recebem esses anúncios”, disse ele.

De acordo com a explicação de Wodinsky, não foi à toa, nem por engano, que a empresa dos macacões populares sem fundo gastou uma fortuna comprando praticamente todos os espaços publicitários de uma reportagem da Elle. É fácil imaginar o quanto ela pode ganhar por conta dos cookies que mostram os hábitos de navegação dos leitores da revista.

 

Para se aprofundar no assunto: https://bit.ly/3ilRObi

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