Os dados estão cada vez mais integrados em todos os aspectos da nossa vida. Da inteligência artificial à Internet das coisas, das mídias sociais à economia global, eles transformaram a sociedade neste novo, e competitivo, mundo digital. Os dados que circulam revelam relacionamentos, opiniões e tendências tanto dos indivíduos quanto de cidades ou países inteiros. E todos eles são usados para movimentar a economia global, seja com segmentações de perfil para o direcionamento de mensagens e comunicações, para a tomada de decisões de forma mais eficiente e efetiva, ou simplesmente para entender melhor o que está acontecendo no mundo.

Apesar de toda essa importância, o trabalho com dados ainda é visto com certa desconfiança. Seja no constante debate sobre privacidade, ou nas discussões sobre a manipulação da opinião pública com o uso de informações falsas, muitas pessoas têm uma percepção negativa sobre as aplicações dos dados na sociedade. Ao mesmo tempo, o fato inegável é que os dados estão aí, e estão sendo usados. Acompanhar esse mercado, e conhecer as suas tendências, é fundamental para podermos nos planejar e nos adaptar à nova realidade. Nesse sentido, listamos abaixo as principais tendências relacionadas com o uso de dados que podem transformar ainda mais o dia-a-dia das empresas.

 

Hiperpersonalização

O aumento das informações disponíveis, e da nossa capacidade de tratar esses dados cada vez mais rápido, permite a construção de experiências e ofertas cada vez mais bem direcionadas aos indivíduos. Essa é a tendência de “hiperpersonalização”, da customização total das interações com os indivíduos. Imagine a página inicial de um e-commerce que não só exibe produtos específicos para cada usuário, mas que tem um layout diferente (cores, tamanho de imagens, destaque dos preços etc.) com base em uma análise de quais são os gatilhos de venda mais efetivos. Imagine aplicativos e sites que se adaptam à forma como você os utiliza, removendo ou despriorizando opções, categorias, botões e centenas de outros detalhes para melhorar a sua experiência. Tudo isso não só é possível, mas já vem sendo feito em diferentes escalas ao redor do mundo, sempre usando os dados como base.

 

Automação

Estamos vivendo uma revolução industrial no trabalho com dados. O volume e a variedade crescente de informações disponíveis e, como explorado acima, a necessidade de se tomar ações de forma cada vez mais rápida sobre esses dados, vêm obrigando as empresas a adotarem processos automatizados para tratar e manipular dados. E essa automatização não vai acontecer apenas nas áreas que imaginamos. Mesmo cientistas de dados e desenvolvedores de software vêm sendo substituídos por modelos de inteligência artificial capazes de realizar boa parte do seu trabalho de maneira mais rápida e eficiente. Quem não se atentar para aplicar essas novas tecnologias em processos que envolvem dados vai rapidamente ficar para trás.

 

Tecnologia blockchain

O blockchain, a tecnologia por trás do Bitcoin e de outras criptomoedas, tem dezenas de aplicações no universo da tecnologia. Em termos simples, é um registro público e imutável de transações. Apesar de muitas pessoas destacarem o anonimato das criptomoedas, a verdade é que o blockchain traz uma transparência sem precedentes para as transações que são registradas nele, sendo uma fonte extremamente rica de dados e mudando o nosso relacionamento com o que está registrado nele, independe disso ser um contrato, dinheiro, uma imagem, um vídeo, uma poesia, ou qualquer outra coisa.

 

Atenção regulatória

Passados três anos da aprovação inicial da LGPD, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) já segue definindo e divulgando instruções normativas e orientações para as empresas que trabalham com dados, e também realizando a investigação de reclamações e a eventuais aplicações de multas e sanções contra quem desrespeitar a lei. As empresas que ainda não deram os passos necessários para se adequar e minimizar os riscos de serem penalizadas devem fazê-lo imediatamente, entre eles, utilizar tecnologias de proteção e monitoramento de seus sistemas, criptografar as informações guardadas da forma correta, armazenar apenas os dados necessários para as suas operações e descartar (ou nem coletar) o restante.

 

Dados (quase) abertos

Com o aumento da atenção regulatória, estamos vendo a proliferação cada vez maior de “silos” de dados abertos, um conceito totalmente contraditório, que na maioria dos casos traz mais problemas do que benefícios. Os exemplos mais evidentes disso são o open banking e open insurance, mas iniciativas dessa natureza têm se proliferado e expandido de forma cada vez mais rápida. A criação desses silos obriga as empresas a rapidamente se tornarem participantes nessas comunidades, de forma a manterem o seu acesso à informações importantes para o seu funcionamento, e exclui novos entrantes dos mercados. Na prática, essas iniciativas apenas aceleram o desenvolvimento e utilização de dados alternativos para os processos de tomada de decisão, eliminando os monopólios de informação que elas mesmo tentam criar.

 

 

Todas essas tendências são gerais, independentes de qualquer tecnologia específica, e já vem se manifestando no mundo dos negócios e na sociedade como um todo. Hoje, todas as empresas são empresas de dados, e tem nas suas informações ativos valiosos e importantes para a sobrevivência do negócio. Quem não estiver atento às transformações que estão acontecendo, não vai sobreviver nesse novo mercado.

 

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