Com a aprovação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), intensificaram-se os debates sobre a privacidade de dados pessoais. Mas é fundamental que os indivíduos se preocupem com outro aspecto, tão ou mais importante do que a privacidade: a transparência, ou seja, o conhecimento sobre de que forma e com qual finalidade suas informações são utilizadas.

Duas cidades europeias acabam de dar um bom exemplo nesse sentido. Amsterdã, na Holanda, e Helsinque, na Finlândia, inauguraram um registro público com todos os algoritmos de inteligência artificial utilizados por entidades governamentais e serviços à população. De acordo com o portal Canaltech, cada registro revela como e para quê cada algoritmo é usado, divulga os conjuntos de dados usados para treinar seus modelos mentais e explica o que é feito para evitar comportamentos prejudiciais. Uma seção de “riscos” aborda eventuais perigos que o uso indevido daquele algoritmo pode representar à sociedade.

Nos países da União Europeia, a General Data Protection Regulation (GPDR) foi implantada em 2018 e já impacta a economia da região. Um estudo da empresa Check Point Software Technologies com CTOs, CIOs e gerentes de TI e de segurança de empresas de cinco países avaliou como positiva a implantação da lei. Para 75% dessas empresas, a lei contribuiu para a ampliação da confiança do consumidor em relação aos fornecedores e, para 73%, contribuiu para o aumento da segurança de seus dados. Esses resultados positivos estão relacionados não só à proteção das informações mas também à transparência das empresas.

A falta de transparência, ao contrário, pode afetar os negócios da economia digital e imputar pesadas multas. Vale lembrar que a França multou o Google em 50 milhões de euros, no começo de 2019, por não estar suficientemente claro para usuários do Android como os dados pessoais são coletados e processados pelo sistema móvel. A empresa entrou com um recurso, que foi rejeitado. A decisão foi chancelada em junho deste ano.

Estudos têm mostrado que os consumidores, especialmente os jovens, aderem com facilidade ao compartilhamento de informações pessoais. É um público disposto a compartilhar seus dados, desde que recebam recompensas como acesso gratuito a aplicativos ou descontos. Um levantamento da Kaspersky, realizado entre janeiro e fevereiro de 2020, apontou que a maioria dos brasileiros não vê problema em abrir mão do sigilo em troca de regalias especiais, dando mais valor às comodidades das redes sociais do que à própria proteção.

Pela pesquisa, 80% dos brasileiros aceitariam expor seus perfis em redes sociais para encontrar amigos de longa data. 70% o fariam sem problemas para obter descontos em compras. A maioria também não se importaria, desde que ganhasse experiências exclusivas (65%), garantisse um bom imóvel para alugar (55%), tivesse mais segurança em viagens (50%) ou no cartão de crédito (44%), ou, ainda, obtivesse um visto para outro país (49%). Também surgiu a informação de que mais de um terço (37%) estariam satisfeitos caso um governo rastreasse suas atividades nas mídias sociais para manter os cidadãos seguros.

Escolhas cujas implicações ainda exigem muita reflexão da sociedade.

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