Qualquer projeto ou planejamento que envolva a transformação cultural de uma empresa deve ser cuidadosamente traçado, para conseguir vencer, etapa a etapa, os desafios de mudar pensamentos e comportamentos já sedimentados na organização. Quando se trata de mudar a chave da era digital, orientada aos dados, capaz de tirar os melhores resultados do BigData, a quebra de paradigmas requer ainda mais atenção. Não por conta da questão técnica, da sofisticação dos programas ou da complexidade dos algoritmos de análise de informações. Mas, como apontam as pesquisas do setor, porque, em geral, falta às equipes de profissionais a “cultura de dados”. Sem esse entendimento, as pessoas tendem a resistir ao que não conhecem e a postergar, ou até sabotar, mesmo que inconscientemente, os novos processos.

Uma das formas de facilitar para os usuários a apropriação das metodologias e ferramentas que coletam e processam informações referentes a seus objetivos de trabalho é, digamos, “descomplicar o acesso ao universo dos dados”. Em vez de entregar a eles soluções abstratas, que implicam uma grande curva de aprendizado, uma alternativa mais atrativa é oferecer os chamados “produtos de dados”. São produtos gerados a partir de iniciativas que utilizam dados para atender a necessidades específicas, mas em formatos de rápida assimilação. Quando os dados são orientados a produtos não apenas a adoção fica mais fácil de ser implantada e escalada, mas aumenta o engajamento para realmente promover o pensamento digital dentro da empresa.

Essa estratégia só tem chance de dar bons resultados, no entanto, se os produtos forem adequados e úteis aos setores e aos profissionais que vão utilizá-los. Por isso, recomendam os especialistas, os cientistas que vão se encarregar de desenvolver os produtos de dados têm de estar dispostos a entender e a ouvir o que dizem os seus “clientes” na estrutura interna da empresa. Em um artigo para a Harvard Business Review, os analistas Jedd Davis, Dave Nussbaum e Kevin Troyanos, alertam: “Em vez de desenvolver independentemente um novo método de medição de desempenho ou um novo algoritmo para segmentação automatizada de clientes, os profissionais de análise devem começar perguntando aos colegas de cada departamento quais perguntas-chave de negócios eles estão tentando responder e quais resultados tentam alcançar”.

O sucesso dos produtos de dados para apoiar as tomadas de decisões depende também, além de terem um foco preciso, da forma como são apresentados. Considerando que a maior parte dos profissionais não domina a arte da interpretação de planilhas ou desconhece as potencialidades de combinação dos algoritmos, é fundamental usar a criatividade para criar produtos intuitivos, que ajudem o usuário a atingir seus objetivos ou descobrir problemas que não estavam visíveis. Por exemplo, um gerente de vendas a varejo poderia ter dificuldades em usar um conjunto de ferramentas para fazer diferentes análises de sua carteira de clientes. Mas poderia realizar essa tarefa sem desgaste se tivesse à disposição uma plataforma customizada, que integrasse diferentes funções analíticas.

A efetiva integração entre a área de TI e a área de negócios é, portanto, a estratégia mais assertiva para desenvolver as melhores pontes entre usuários e dados, facilitando o caminho rumo à cultura digital corporativa.

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