O ano de 2021 está finalmente chegando ao fim, para a alegria de muitos. Não há dúvidas de que este ano entrará para a história como sendo o mais incomum do novo milênio, aquele que mudou tudo de lugar e promoveu as mais profundas transformações em pessoas, empresas, teorias, procedimentos e práticas. Definitivamente, 2021 foi um ano para os fortes, não para os amadores.

Em parte, a pandemia causada pelo novo coronavírus também acelerou o processo de transformação digital que já vinha ocorrendo no mundo há alguns anos. Os setores que avançaram durante esse período foram os que já estavam mais avançados nessa jornada. E como temos dito constantemente em diversos artigos, quem não se adaptar a essa nova realidade vai ficar para trás.

Setores inteiros da economia precisaram se reinventar da noite para o dia. Entre todos, o varejo talvez tenha sido o mais emblemático das rápidas e profundas mudanças. Mas é preciso que fique bem claro que todos esses setores mudaram por uma mesma razão: o consumidor mudou e o mercado já não é mais o mesmo.

Ao romper com velhos padrões e trazer novos conceitos à tona, 2021 mudou a forma como as empresas enxergam o mercado e como precisam se preparar para ele. Com base nisso, é possível apontar algumas tendências para os próximos anos. Conheça, a seguir, cinco tendências do mercado de dados para 2022. 

 

Vazamentos de dados cada vez maiores

A concentração de informações nas mãos de algumas poucas empresas do mercado gerou uma vantagem competitiva praticamente insuperável para elas, mas também as tornou alvo de grandes ações criminosas. Não à toa, temos acompanhado nos últimos anos a crescente quantidade de ataques a grandes empresas de dados e o número assustador de vazamentos de informações pessoais.

No Brasil, talvez o caso mais significativo tenha acontecido em janeiro deste ano, quando dados de 223 milhões de brasileiros vazaram, deixando todo o país em estado de alerta. Um fato curioso sobre esse incidente foi que o número de afetados era maior do que o de toda a população brasileira, pois incluía até mesmo informações de pessoas já falecidas. Entre os dados estavam informações de identificação (nome, RG, CPF, título de eleitor), de contato (endereço, e-mail, telefone), de perfil (ocupação, escolaridade, estado civil) e até mesmo informações que, no escopo da LGPD, são sensíveis (renda, pontuação de crédito, e foto de rosto).

O incidente ganhou repercussão na mídia de vários países, reforçando ainda mais as discussões sobre a segurança dos dados e a responsabilidade sobre os vazamentos. Com um número cada vez maior de empresas coletando cada vez mais dados dos seus usuários, fica fácil presumir que, daqui para a frente, a possibilidade de vazamentos cada vez mais expressivos é muito grande.

 

Uma maior atenção por parte das autoridades

Até por causa do aumento do risco de vazamentos, existe uma atenção cada vez maior da sociedade para questões relacionadas com informações, especialmente informações pessoais. Com maior atenção, deve vir também um maior escrutínio da recém-criada Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) sobre o mercado de dados, bem como de outros órgãos reguladores e do próprio governo sobre esse mercado.

Apesar da LGPD ser uma peça de legislação relativamente nova, tendo acabado de completar 3 anos, ela deve ser cada vez mais aplicada e exercitada nas cortes, testando os limites do mercado e o entendimento jurídico de suas diferentes cláusulas. Ao longo de 2022, devemos esperar mais atuação das autoridades e reguladores sobre a economia dos dados, e torcer para que essa atenção não destrua o mercado antes da sua maturidade.

 

Mais iniciativas de dados abertos

Não é só o governo e os órgãos regulatórios que tem prestado mais atenção no mercado de dados. Empresas tradicionais realizaram, ao longo dos últimos anos, a importância das informações, e o valor que os dados agregam para os seus negócios. Ao mesmo tempo, muitos setores também realizaram a importância do compartilhamento de informações entre os diferentes participantes do mercado.

Dessas duas realizações nasceram as iniciativas de dados abertos, ou seja, de dados compartilhados entre empresas de um mesmo setor, com o objetivo de facilitar a análise de clientes e gerar mais valor para todos. Em 2021, vimos a ascensão do open banking , com o compartilhamento de dados financeiros entre bancos, abrindo novas oportunidades de oferta de serviços e captação de clientes para essas empresas.

Em 2022, devemos ver essas iniciativas se espalharem para outros setores da economia. O mais avançado no momento é o open insurance, ou seja, o compartilhamento de dados entre empresas de seguros, mas dezenas de outros mercados têm o potencial de se beneficiar da troca de dados, e projetos dessa natureza devem aparecer e se desenvolver cada vez mais rápido. Áreas como a medicina, pesquisas farmacêuticas, educação, e dezenas de outras tem se movimentado para derrubar os silos de informação e integrar dados de uma forma mais simples para os usuários finais, as pessoas.

 

Procura cada vez maior por dados alternativos

Com cada vez mais dados abertos, informações que são compartilhadas entre todos os participantes do mercado deixam de ser um diferencial competitivo para as empresas. A busca pelo diferencial nos dados reforça a procura por dados alternativos, que mostrem comportamentos e características dos indivíduos ou das empresas que não são capturados pelas informações tradicionais, e que ao mesmo tempo não sejam parte dos processos de dados abertos.

Se antes a busca por dados alternativos era uma curiosidade, um foco principalmente das empresas que estavam na linha de frente da inovação dentro da economia dos dados, agora ela passa a ser algo vital para a manutenção dos diferenciais competitivos criados pelas áreas de ciência de dados ou por modelos de inteligência artificial dentro das empresas.

 

Entrada de novas empresas no mercado

Com uma procura cada vez maior por dados alternativos, devemos ver cada vez mais empresas monetizando seus dados e comercializando informações no mercado. Dados que antes eram considerados “de nicho”, ou que não eram priorizados porque o custo de extração de valor era muito alto, passam a ser fundamentais para as empresas, e, portanto, uma oportunidade de negócios interessante para os seus detentores.

Não se surpreenda se empresas que você nunca pensou como sendo empresas de dados apareçam vendendo informações para os mais diferentes mercados, e para as mais diferentes finalidades.

 

A confluência de todas essas tendências deve tornar 2022 um ano extremamente interessante para o mercado de dados. O grande desafio está em equilibrar as diferentes forças – regulatórias, de mercado, da sociedade – que devem cada vez mais impactar as empresas, de forma a se continuar gerando valor com informações.

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